domingo, 8 de abril de 2012

SERAFIM, O CARIOCA

Serafim, jovem  moderno do bairro Campagnaro, Ibiraçu, motorista profissional bem relacionado, mas  enjoado da vida do interior, e aborrecido com algumas coisas em família, decidiu viajar para o Rio de Janeiro, meio que escondido, e tentar outra vida, o que realmente conseguiu, porque há quase dois anos, está exercendo a  profissão  de motorista de ônibus circular na Grande Rio.

Mas, nas duas primeiras semanas que ele foi escondido para lá, sua família ficou preocupada, porque ele não estava atendendo telefonemas em seu aparelho celular com o prefixo dessa região.

Certo, dia, o pai de Serafim, homem simples, conseguiu completar a  ligação do orelhão ruidoso que usava.

Serafim, ao atender falando um "carioquês de terceira e fraquinho", com as poucas semanas que lá estava, respondeu ao pai, que quis saber onde ele se encontrava.

Com o seu carioquês, disse: Tô trabalhando numa boa, mas agora estou em um hospital.

Meu filho!  disse o pai. Mesmo você estando neste hospital, largue isso e venha embora.

Não pai!  disse Serafim. Estou  aqui por que ganhei uns cortes.

E o pai.  Ganhou um Escort. Pegue esse carro e vem filho.

Não pai! respondeu Serafim.

Ganhei uns cortes de navalha na cara e estou internado em um hospital.

É duro.  Conversar pelo telefone é difícil.
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