domingo, 8 de abril de 2012

ENTREVISTADA: SANTINA BITTI LOUREIRO


Prosseguindo com esta coluna aos domingos e entrevistando pessoas desta região, está semana a convidada é a senhora Santina Bitti Loureiro,  popularmente  conhecida por “Dona Santinha”, ibiraçuense de Santo Antônio de 92 anos, que há 70 anos mora em Grapuama, município de Aracruz, onde, desde a chegada, montou um comércio que funcionou até poucos anos.

Após desativar o comércio, “Dona Santinha” manteve-se morando no lugar que ama, em companhia de sua antiga e inseparável amiga, Aurora Barbosa Resende, que coincidentemente também tem origens no Morro do Aricanga, em Ibiraçu, além da companhia de seu único filho Jorge e família, vizinhos no mesmo pomar.



                                             "Dona Santinha" em  sua residência

 Ibira Sul:  Como foi o começo nesta região, depois de chegar de Pau Gigante, hoje Ibiraçu?

Dona Santinha:  Foi muito trabalhoso, porque era mata pura, com algumas fazendas perdidas em seu interior, dos Loureiros, Pimentel, de dona Catita Gratz e do senhor Eugênio Bitti, a deste, que ficava aonde é hoje a cidade de Aracruz, então Sauaçu. As casas eram todas de estuque e madeira.  

Ibira Sul:  E a prosperidade no Comércio?

Dona Santinha: Com o passar do tempo, com muita luta comecei um pequeno comércio onde  servia o café. Não tinha postos de trabalho,  e  mulheres não tinham oportunidades, porque o serviço eram pesados nas destocas de matas, colheita de cana e roçada de pastagens.

Ibira Sul: Por Grapuama passava uma estrada estadual importante?

Dona Santinha:  Sim. Era a estrada que ligava o Norte ao Sul capixaba, e passava dentro de Grapuama, como existe até hoje. Todos que viajavam, tanto para um lado como para o outro, fosse de veículos, a pé ou à cavalo,  passavam no local, que era também onde ficava o trevo para Pau Gigante  e para a região de Colatina. Era caminhões com postes, carvão, bois, porcos e outras mercadorias, que iam para Linhares e São Mateus, Vitória e outras localidades. Nos finais  de semanas, passavam caminhões com bancos nas carrocerias, levando  as pessoas para a praia de Nova Almeida. Viagens interessantes eram as comitivas de perus, tocados em centenas estradas empoeiradas afora, do Norte capixaba à Vitória. Eles se alimentavam dos mantimentos que seus guias levavam em lombos de burros das comitivas e eram fáceis de ser conduzidos. Com o passar do tempo, montei um dormitório, restaurante e até um pequeno posto de combustível com bomba de manivela. As vezes, alguns motoristas largavam mercadorias para trás, como porcos, que corriam risco de não resistir as viagens, normalmente demoradas. Depois de recuperados, os porcos e outros animais eram abatidos e divididos entre os moradores da comunidade.  O movimento do comércio caiu drasticamente com a inauguração da BR 101(69/70),  efeito  sentido no comércio  que tinha,  no mesmo  dia que liberaram todo trecho da nova estrada.  Foi o fim de uma história que ‘Dona Santinha”  construiu com muito  trabalho.

                       Aurora, Jorge  e "Dona Santinha"

Ibira Sul:  E Santa Cruz?

Dona Santinha:  Santa Cruz era o centro de comércio principal. As pessoas vinham de todas as regiões, tanto de Pau Gigante, de João Neiva, Acioli, etc.., para tratar de negócios no ainda pequeno porto de Santa  Cruz que movimentava muito pescados, que era o alimento  básico dos  nativos de toda região das cabeceiras do delta do piraque-Açu.

Ibira Sul:  E o asfalto, vai passar por Grapuama?

Dona Santinha: É um sonho que  ainda quero realizar, o de ver o asfalto tão  prometido passar em frente a minha casa.  Dizem que as obras vão  recomeçar por estes dias.

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