Prosseguindo com esta coluna aos domingos e entrevistando pessoas desta região, está semana a convidada é a senhora Santina Bitti Loureiro, popularmente conhecida por “Dona Santinha”, ibiraçuense de Santo Antônio de 92 anos, que há 70 anos mora em Grapuama, município de Aracruz, onde, desde a chegada, montou um comércio que funcionou até poucos anos.
Após desativar o comércio, “Dona Santinha” manteve-se morando no lugar que ama, em companhia de sua antiga e inseparável amiga, Aurora Barbosa Resende, que coincidentemente também tem origens no Morro do Aricanga, em Ibiraçu, além da companhia de seu único filho Jorge e família, vizinhos no mesmo pomar.
"Dona Santinha" em sua residência
Ibira Sul:
Como foi o começo nesta região, depois de chegar de Pau Gigante, hoje
Ibiraçu?
Dona Santinha:
Foi muito trabalhoso, porque era mata pura, com algumas fazendas perdidas
em seu interior, dos Loureiros, Pimentel, de dona Catita Gratz e do senhor Eugênio
Bitti, a deste, que ficava aonde é hoje a cidade de Aracruz, então Sauaçu. As casas eram
todas de estuque e madeira.
Ibira Sul:
E a prosperidade no Comércio?
Dona Santinha: Com o passar do tempo, com muita
luta comecei um pequeno comércio onde servia
o café. Não tinha postos de trabalho, e
mulheres não tinham oportunidades, porque o serviço eram pesados nas destocas
de matas, colheita de cana e roçada de pastagens.
Ibira Sul: Por Grapuama passava uma estrada
estadual importante?
Dona Santinha:
Sim. Era a estrada que ligava o Norte ao Sul capixaba, e passava dentro
de Grapuama, como existe até hoje. Todos que viajavam, tanto para um lado como
para o outro, fosse de veículos, a pé ou à cavalo, passavam no local, que era também onde ficava
o trevo para Pau Gigante e para a região
de Colatina. Era caminhões com postes, carvão, bois, porcos e outras
mercadorias, que iam para Linhares e São Mateus, Vitória e outras localidades. Nos
finais de semanas, passavam caminhões
com bancos nas carrocerias, levando as
pessoas para a praia de Nova Almeida. Viagens interessantes eram as comitivas
de perus, tocados em centenas estradas empoeiradas afora, do Norte capixaba à Vitória.
Eles se alimentavam dos mantimentos que seus guias levavam em lombos de burros
das comitivas e eram fáceis de ser conduzidos. Com o passar do tempo, montei um
dormitório, restaurante e até um pequeno posto de combustível com bomba de
manivela. As vezes, alguns motoristas largavam mercadorias para trás, como
porcos, que corriam risco de não resistir as viagens, normalmente demoradas.
Depois de recuperados, os porcos e outros animais eram abatidos e divididos entre
os moradores da comunidade. O movimento
do comércio caiu drasticamente com a inauguração da BR 101(69/70), efeito
sentido no comércio que tinha, no
mesmo dia que liberaram todo trecho da nova
estrada. Foi o fim de uma história que ‘Dona
Santinha” construiu com muito trabalho.
Aurora, Jorge e "Dona Santinha"
Ibira Sul:
E Santa Cruz?
Dona Santinha:
Santa Cruz era o centro de comércio principal. As pessoas vinham de
todas as regiões, tanto de Pau Gigante, de João Neiva, Acioli, etc.., para tratar
de negócios no ainda pequeno porto de Santa
Cruz que movimentava muito pescados, que era o alimento básico dos
nativos de toda região das cabeceiras do delta do piraque-Açu.
Ibira Sul:
E o asfalto, vai passar por Grapuama?
Dona
Santinha: É um sonho que ainda quero realizar, o de ver o asfalto
tão prometido passar em frente a minha casa.
Dizem que as obras vão recomeçar por estes dias.
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